HISTORIA DE UM CLUBE ALVI-RUBRO

Em pé (técnico e auxiliar) Betinho e Dindou – (Presidente) Roberto, Nono, Jadir, Martiliano, Nando,Jardel, Elias e Leto. Agachado: (Massagista) Ricardo. Atletas: Leco, Robson, Perinaldo, Cícero, Léu,  Jobson, Du, Ivan, Tonca, Vinho e Edvan (auxiliar de Massagista).

inicio
Éramos um grupo de adolescentes, que se juntavam como sempre faziam à noite, em frente à casa do senhor Antônio Nogueira, aqui na Rua Conde da Boa Vista, nº. a brincar e contar anedotas e, naquela noite especial onde o assuntos era voltado pela vitória do Brasil, de 5 x 2 contra Suécia, deixando todos eufóricos, pois se comemorava em todo o Brasil, pela primeira vez, o titulo de  campeão mundial de futebol naquele ano de 1958.

E foi nesse clima que nasceu a idéia de se criar um clube em Pontezinha, lembro muito bem daqueles jovens presentes como: Joel Mendonça - Fura Barreira – Caneca - Heraldo Ferraz - Vela Branca – Ninho - Tonho Ferro e Figueiredo. A idéia trouxe várias sugestões naquela noite, foram convocados alguns dos jovens e uma delas fui eu, a levar um convite ao então vereador senhor Horácio Ferraz Cavalcanti (meu pai), para ajudar o novo clube, em sua criação. Meu pai gostou da idéia, mas deu uma condição, que, só aceitava o cargo se o clube chama-se “CLUBE NAÚTICO DE PONTEZINHA” o que foi aceito por todos os presentes.

Vamos voltar para o ano de 1958, no dia em que me tornei fã do futebol brasileiro e começamos a formar o Clube Náutico de Pontezinha, sendo cedido uma área de 2.500 mt². Pelo Sr. José Euclides Alves da Silva, uma área na qual formamos um campo através de mutirão e as trave tiradas de um manguezal ali por perto, através de Uim, Biu Beisola e Tarrafa, concluído por Edinho.
E daquele dia em diante passou a ser chamado por “Barreiro” (área de barro) hoje, Praça Santa Rosa, tendo como primeiro presidente meu pai Horácio Ferraz Cavalcanti, no começo jogávamos descalços, com o material comprado pelo presidente e depois de uns dois (2) anos já na primeira gestão do senhor Heraldo Ferraz como presidente e goleiro ao mesmo tempo, conseguimos através de uma reunião, trazer o Deputado Estadual e presidente do: Santa Cruz do Recife senhor Dr. Odivio Borba Duarte, que, após sua oratória, tirou do bolso um cartão e entregou a  Heraldo pedindo-lhe que fosse ao Recife na “Casas dos Atletas” e compra-se tudo que precisasse para o clube’, sendo apresentado e, aprovado na hora, uma relações de todos matérias doados que foram: seis (6) padrão de camisas, trinta e seis (36) calções, cinqüenta (50) pares de chuteiras, 10 Bolas de couro, seis (6) pares de joelheiras, oitos (8) caneleiras dois (2) apitos, uma (1) bomba manual para encher as bolas, um (1) Armário para guardar matérias esportivos, também meses depois, o Deputado Estadual senhor Edmar Morim Fernandes doou quase o mesmo tanto do senhor Odivio e o ex- presidente senhor Horácio Ferraz Cavalcanti cedeu um quartinho atrás da padaria como sede que se perpetuou até a saída de Heraldo Ferraz, entregando aos senhores Alfredo do correio, Hélio Mota, Carlos Eurico, Zé Heleno.
O ponto alto eram os treinamentos descalços todas quartas e sesta feiras, aonde o técnico garrincha reuniam todos os atletas para preparar aqueles que jogariam no próximo domingo e foi no desses treinos onde Heraldo comandava que se deu o crime de Hercílio matando o nosso zagueiro na época Sr. Zezito Medeiro (Zito) a tiros. Assunto que falaremos no decorrer dessa historia avi-rubra, não esquecendo dos atletas relacionadas pelo diretor esportivo da época, senhor Pedro Dias o nosso professor, e o técnico Walfrido Fernandes o popular garrincha, sendo os primeiros relacionados e a primeira escalação oficial do clube, que se seguem abaixo:

Os primeiros relacionados como jogadores:
Foram: Joel – Uim – Caneca - Fura Barreira – Ninho – Heraldo – Miro – Horacinho - Tarrafa – Minél - Néu de Dona Lourdes - Antônio Ferro – Paulo Metóquina – Nenê – Paulo – Calico -  Amaro Pescador - Figueiredo Ferreira – Dú – Severino - Waldemar - Biu Beiçola – Peixe - Djalma Fonseca - Zezinho Vela Branca – Daniel - Edinho - Arlindo (Sarapintor) – Deda - Nestor Ferro – Alcides -  Caboré – Dindo - Jau de Domingo, Geraldo e Silva Cachaça.

ESCALAÇÃO DO 1º. QUADRO.
Heraldo Ferraz (goleiro) - Biu Beiçola e Silva Cachaça (zagueiro) - Gilberto (volante) - Uim (center-half) - Figueiredo (ralf-esquerdo) - Peixe (ponta direita) - Horacinho (meia-direita) – Vela Branca (center-for) - Joel (meia-esquerda) - Arlindo Sarapintor (ponta-esquerda).
RESERVAS:  Paulo Metóquina, Tarrafa, Alcides, Fura Barreira, Daniel e Minél,  
TÉCNICO: Walfrido Fernandes. (Garrincha)
ROUPEIRO: Maninho de Mery

ESCALAÇÃO DO 2º QUADRO:
Waldemar (goleiro) Miro (burro preto) e Jau (zagueiro) Nenê (ralf-direito) Antonio Ferro (center-half) Dindo (ralf-esquerdo) Caneca (ponta direita) Alcides (meio direita) Vela branca (center-for) Néu (meio esquerda) Tarrafa (ponta esquerda).
RESERVAS: Nestor Ferro, Amaro pescador, Ninho de (Elpidio) Amaro da estação, Dú e Arlindo.
TÉCNICO: Maninho de Mery

CLUBES QUE JOGARAM COM O NÁUTICO.
Os nossos primeiros jogos foram realizados em casa e outros fora, contra vários times de lugares diferentes. Alguns times de Jaboatão dos Guararapes, (Prazeres) como: Elmo Esporte Clube e Esporte Clube de Prazeres, sendo seguidos pelos times locais Esporte, América, Santa Cruz e Vasco. Também passaram por Pontezinha, o Condor de Peixinho, (Olinda) a Seleção do Pina, o Cobra Fumando de Boa Viagem, Centro Jaboatonense Esporte Clube, Auto Esporte, Santa Cruz de Recife, Estudante de Recife, Seleção Cabense (técnico Julio Botelho e Heraldo Ferraz no Gol) Destilaria Presidente Vargas, Esporte Clube de nossa senhora do O, Boi Velho Esporte Clube de Ipojuca, Centro Barreirense Futebol Clube, Esporte Clube Catende, Primavera Futebol Clube, Esporte Clube do Amaragi, 13 de maio futebol clube de Palmares, Usina Massa-assú futebol clube de Escada,

FATOS PINTORESCO
Estávamos na antes véspera de, mas um jogo com o Esporte de Pontezinha, e a partida vinha causando reboliço muito grande entres os torcedores tanto do Náutico como do Esporte, a partida tinha caráter de revanche, pós fazia pouco tempo em que o Esporte tinha vencido o Náutico e essa era uma partida decisiva não podíamos perder.
É claro que é um clássico local, e foi ai que o fato aconteceu, estava eu no balcão da minha padaria, quando uma senhora amiga nossa, por nome de Maria Gordinha espírita chamo-me atenção perguntando se eu queria ganhar a partida contra o Esporte, é claro, respondi! Pós bem, hoje à noite você leve todos que vão jogar lá no meu centro. Ok! Não esqueça à noite, ouviu! Certo.
E já vou com o pessoal para centro espírita de gordinha e lá chegando vi que tudo estava pronto, as baianas davam os últimos retoques nos acendimentos de uns punhados de velas coloridas, e as cantorias chamava atenção para o inicio da sessão.
No decorrer de um intervalo a outro, ela chegava por trás e com as duas mãos no ombro do jogador empurrava pra frente e pra trás, (passe) como se estivesse com o diabo no corpo. Era bem engraçado o ritmado dos gestos praticados, pois sentia que alguns não estavam gostando, apenas se divertindo. Essa sessão deve ter durado algumas horas, mas no final, ela prometeu que ganhávamos o jogo, pode ficar tranqüilo, disse ela, no meu pé de ouvido.
No domingo fomos a campo, consciente que o resultado nos seria favoráveis, foi talvez  excesso de confiança que tenha levado a uma derrota fragorosa de 5 x 1 (pensei eu), entretanto, os jogadores estavam todos revoltados com Maria Gordinha, inclusive eu, que os tinha levado a acreditar naquelas mentiras. Porém um fato pitoresco aconteceu quando fui a ela reclamar da derrota,  ela, que, calmamente respondeu, “porque você não disse que era o goleiro, você também é jogador e eu tinha como presidente, não  tomou passe, não adianta choradeira, da próxima vez você será o primeiro da listra” finalizou Maria. E no final, que pagou o pato fui eu, alguma dúvida? Acho que não!
Em outra ocasião bem engraçada, foi quando colocamos um jarro com figuras oriental, “pintado pela minha mãe” na rifa e couberam a cada um, cinco (5) talões para dez (10) associados interessados em vendê-los.
Estávamos no ano de 1962, aonde hoje e o “mercadinho popular”, era um Posto Fiscal da Fazenda Estadual, e garrincha eram uns dos fiscais que continha com ele, o jarro Oriental.
Foi no desse lance de sorte, quando um contribuinte (fiscalizados) por nome de Zé Bodinho, vendo o jarro gostou e comprou pelo um preço três vezes maior do valor cobrado, vendido na moeda de hoje em real, R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais), refazendo todos, os matérias, já bastantes gastos pelo tempo.

TREINOS TUMUTUADOS.
Em nossos treinos já ouve de tudo, lembro de um quebra pau entre Horácio e Miro burro preto e foram expulsos  de campo, inclusive a saída de Miro definitivamente do Náutico, indo jogar pelo Esporte, aonde logo que chegou, passou a ser titular da zaga, transformando um grande zagueiro do passado.
Outro também foi Paulo Metóquina, (tio de Néri) que deixou o treino após uma briga com o presidente, indo morar em Brasília, aonde mora até hoje. Foi um jogador de pouca expressão técnica, porém, importante para qualquer time em sua posição, aja visto sua passagem no futebol de Pontezinha ser meteórica.
Mas o caso mesmo que chamou atenção, aonde o Náutico perdeu definitivamente seu campo, foi com a morte de Zito Medeiro (zagueiro) a tiros, por Hercílio em desentendimento em jogadas rígidas, por ambas as parte. Segundo Toinho Arara (center-ralf do Esporte), que treinava e viu tudo de perto e comunico-me o fato, “dizendo que Hercílio tinha indo se armar e ele conhecia Hercílio muito bem, como uma pessoa violento, por isso acho melhor você mandar Zito para casa, pediu toinho”, e como eu apitava o treino naquela tarde fatídica, fui ao encontro de Zito, pedi que ele se retirasse do treino, voltando vinte minutos depois com seu colega Brasil gás, sendo ouvidos logo em seguida, os tiros.
Quando foi no sábado pela manhã, recebi a visita do proprietário e senhor Euclides Alves que veio comunicar sua decisão de tomar a área do campo para loteamento, acabando definitivamente com o campo, fazendo com que nós acostumássemos com a idéia que apartir daquele momento o Náutico não teria mais seu campo e seus treinos e jogos passaria a ser em outros campos, enquanto isso, nós estávamos respondendo processo, como dirigentes do clube, ainda bem a compreensão da nossa justiça em relação ao caso, ao descobrir que o crime foi passional, pós, já havia rixas anteriores e como causas, mulheres.
Em reunião no dia 26 de dezembro de 1988, às 20h00, foi eleito para presidente o senhor José de Araújo, e voltando a ser reeleito para a vigência 1993. Tendo nesse mandato se consagrado campeão de 1991, promovido pela A.D.P. (Associação de Deporto de Pontezinha) através do seu presidente senhor Erotilde Júlio.
Participaram dessa conquista os seguintes atletas: Mané-Zinho, Numa, Gerson, Zeu, Bidiu, Poça, Careca, Djalma, Monstrinho, Toinho, Bicudo, Joãozinho, Valdir, Almir e Cantarele. (Técnico e Presidente) Adilson sendo auxiliado por Zezinho.
No ano de 1993 por chapa única, elegeu-se o senhor Adilson com vigência até maio de 1996, mais antes de completar seu mandato (1995) renunciou o cargo oficialmente perante todos  associados presente, passando a presidência aos senhores João Tomaz da Silva, Carlos Nunes da Silva, João Felix da Silva, Erio Lira da Silva, Manoel Izaias das Candeias, e Aluízio Wellington Curato. Reconhecendo suas impossibilidades de continuar a frente desta agremiação, resolverão passar o cargo de presidente ao senhor Harry alves de Araújo, que constitui-se em uma fraca administração  levando o Náutico a uma decadência total.
Ao tomar conhecimento do ocorrido, o senhor Adilson (ex-presidente) passou a recolher os restantes (metade) dos materiais existentes ainda nas mãos de alguns atletas desavisados e ficando parado por um logo período até maio de 1999, quando voltou a sua nova atividade sobre o comando do novo presidente Milton Roberto.
O novo presidente reativou a parte esportiva, formando juniores, e os veteranos, sem falar na equipe principal de jovens adolescentes de 21 anos em diante, voltando-o a filiar-se na Liga Desportiva Cabense (L.D.C.) sendo conquistado logo nesse ano, o vice-campeão de márter com os seguintes atletas:  Roberto, Edson, Miro, Deca, Davi, Pitu, Saulo, Zau, Nedo, Sapo, Willamins, Ildo, Josias, Chupa Limão, Ozael, Pelé, Bel, Zé Maria, Verdão e Mi.
Ao transcorrer essa etapa, o Clube Náutico de Pontezinha passou a sofrer desgastes financeiros, sem ter quem o patrocinassem, as despesas eram grandes, mas a vontade de ver o Clube ganhando campeonato foi bem maior do que minha cirurgia de aneurisma cerebral segundo o presidente senhor Milton Roberto ao ver o Náutico em 2004 ser Campeão Cabense, e no ano seguintes ser bi-campeão, voltando a ser vice-campeão em 2006.
A única equipe da cidade do Cabo de Santo Agostinho, principalmente de Pontezinha a conseguir este grande feito.
Em 2007 ficamos em terceiro lugar, e hoje, estamos disputando os campeonatos e os torneios organizados pela Liga Cabense. Seguem abaixo os jogadores em atividades como: Josafa, Adriano, (Keko), Nino, Claudenilson, Erivanio, Cristiano, Júnior, Nico, Dadau, (auxiliar) Tiago e Roberto (presidente) José, Adriano (cabeça), Cícero (bebo), Pedro Júnior, Babau, Eric, Mário, Leo. Participou ainda: Nido, Rinaldo, Peu, Sérgio, Daias, Paçoca, Nem (auxiliar Técnico) e Regis (massagista).

 

VIVA O NAÚTICO DE PONTEZINHA!
2008.

 

Heraldo Ferraz.