UMA FABRICA QUE NÃO DEIXOU SAUDADE,
E UMA PREFEITURA A SE EXPLICAR.

 

Hoje, a 40 km da cidade de Barreiro para onde imigrou, esta fabrica deixou um rastro de destruição, de pessoas mortas e mutiladas e muitos lares desfeitos e outros até destruídos.

O Pernambuco Powder Factory foi fundada em 1866 pelo imigrante Sueco Herman Lundren, sendo a primeira fábrica de pólvora privada do Brasil. A criação da fábrica coincide com o aumento Nacional do produto correlato à guerra do Paraguai. A indústria foi implantada numa localidade rural, no município do Cabo, próximo á linha da estrada de ferro Recife x Cabo (A segunda ferrovia construída no Brasil). Numa área próxima a fábrica, no ano de 1861 a empresa ergueu o núcleo fabril de Pontezinha que chegou a contar com 180 casas. Por razões de segurança, as moradias se distanciaram um pouco da área fabril, aproximando-se da estrada de ferro.

A maioria das casas se dispunha em longos blocos, construídas no século XIX, adornadas por cercaduras contornam a janela e a porta da fachada, percorrida por um alpendre. Este padrão de pequenas casas semelhantes e coladas, abrindo para um alpendre frontal comum ao longo de todo o edifício e cobertas com o mesmo telhado de duas águas, remete á forma usual das senzalas no Nordeste, testemunhando vínculos importantes entre a moradia e a paisagem do engenho colonial e a de núcleo fabris dos séculos XIX e XX. Enquanto nas senzalas os telhados dos alpendres eram apoiados em colunas de alvenaria de secção circular de madeiras. Nos séculos XIX e XX, este modelo de moradia foi muito comum em usinas de açúcar situadas em Pernambuco e Alagoas, surgindo ainda núcleos fabris ligados ás fábricas testeis como Pedra em Alagoas, Paulista em Pernambuco, e Rio Tinto na Paraíba. Nos dois últimos, também pertencentes aos Lundgren, estes alpendres são sustentados por delgadas colunas de madeira, repetindo a solução empregada em Pontezinha.

Estas casas foram usadas como indenizações dos serviços prestados pelos seus funcionários, muitos deles, tinham entre vinte, trinta, quarenta e, até mais de setentas anos, como disse alguns ex-funcionários, sendo alguns constados em documentos apresentados em juízo.

Temos documentos da prefeitura do Cabo de Santo Agostinho, da época do prefeito Elias Gomes, através do seu Secretário de Planejamento Marcelo Figueiredo informa que o Plano de Revitalização da Vila Operária de Pontezinha está estimado em cerca de R$ 3 milhões e contempla as 180 casas diz secretário. Pela proposta da prefeitura que pede o tombamento das 180 casas, sendo que 53 casas no entorno do pátio seriam desapropriadas e reocupadas com usos variados, de apoio ao pólo cultural: Padaria, casa de frutas nordestinas, cachaçaria, cafeteria, loja de doces e salgados típicos da região, museus de manifestações populares, venda de artesanatos, casa das crianças com o regaste das brincadeiras de rua, loja de conveniência, restaurantes self-service e especializados em frutos do mar.

Agora preste bem atenção para o projeto de contradições, pede o tombamento das 180 casas, e ao mesmo tempo, diz que vai desapropriar 53 casas, e construir um pólo cultural, e pode? Onde está a Fundarpe (protegendo o Patrimônio histórico de que?), e a Fidem que estava desenvolvendo o projeto com os 3 milhões do investimentos públicos e privados? Aqui em  pontezinha até o presente momento, não existem nem uma construção direcionado a este projeto Faraônico em que as famílias seriam mandado para um loteamento nas proximidades, de acordo com o gerente de Planos e Projetos da Secretaria de Planejamento do Cabo, o senhor Arnaldo Santana.

Em honra aos trabalhadores que perderam a vida ou ficaram irremediavelmente marcados, seria melhor que o dinheiro a ser gasto na implantação de um sítio histórico para manter vivos os martírios de tanta dor, os herdeiros destes heróis anônimos morassem numa localidade com saneamento básico, bons atendimentos médicos, segurança, educação e lazer. Tornar esta área um patrimônio histórico é homenagear empresários que tinham um único objetivo, a riqueza pessoal, mesmo a custa de muita dor e morte. Não podemos esquecer que Pontezinha deve em parte sua existência a fábrica de pólvora, porém guarda muito mais as recordações das dores que das alegrias.

Aproveitamos para dizer que o Conselho foi, e será contra esse tombamento, aja visto que em reunião com a presença da Fundarpe e os  atuais Secretários do prefeito, eles foram intransigentemente a favor do tombamento, surpreendendo a todos os presentes.

 

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