ORGULHO DE SER PONTEZINHENSE
SAUDADE DA MINHA TERRINHA

Antigas casas “ex-Fabrica” na Praça de Eventos ao fundo a ex-Padaria Nova de Edélcio Ramos.
Pontezinha, distrito ou Bairro, essa é a questão, pertence ao Cabo de Santo Agostinho, ou Jaboatão dos Guararapes. Distante 24,5km do marco zero do estado, área metropolitana. Várias são as versões do seu surgimento, porém conta-se historicamente que os escravos fugidos de Recife e de Olinda, seguia destino aos Quilombolas dos Palmares (Alagoas) vindo por caminhos estreitos (vielas) dentro das matas existentes na época, hoje BR 101, e muitos não resistia à caminhada e ficavam as margem do rio Jaboatão, formando-se assim, um aglomerados de palhoças que aos passar do tempo, viravam nomes.
Pontezinha foram um deles, originado por uma ponte de madeira sobre o rio Jaboatão que atravessando deparava lá adiante com outro lugarejo da família dos Carvalhos; que também teve como referência a cuja ponte de madeira a única que separa até hoje esses dois distritos da cidade do Cabo de Santo Agostinho.
Dirigiremos nossos olhos a Pontezinha da atualidade, mesmo assim não podemos descartar o papel importante da S.A. Pernambuco Powder Factory (Fábrica de pólvora), fundada em 1861 que por anos a fio empregou a maioria da população e lhes deu abrigo, e não sendo uma empresa que acompanhasse o progresso, pelo menos na localidade, acabou fechando às portas, e seguindo seus passos, a localidade também parou no tempo. Marcas indeléveis de sua passagem, jamais serão esquecidas.
Com aproximadamente trinta e cinco mil habitantes, Pontezinha como muitas cidades localizadas nas áreas limites de municípios sofre com a falta de investimento e o bom censo dos seus governantes em todos os níveis.
Mesmo assim, Pontezinha sobrevive pela força de seus filhos e dos que a adotaram. Muitos poderiam investir em outras localidades, mais têm o amor pela terra onde nasceram e casos outros a terra que lhes deu alguma oportunidade.
Assim Pontezinha sobrevive.
Com esta razoável população, já deveria ser merecedora de mais atenção dos poderes públicos.
Apesar de acolher uma entre as mais importantes indústrias metalúrgicas da América Latina, pois de Pontezinha da metalúrgica – SIMISA - SIMIONE saiu a maior moenda já fabricada nas Américas. Existem outras indústrias de menor porte, empresas de grande médio e pequeno portes e um comércio em plena expansão, Mesmo assim Pontezinha não tem um banco, uma agência dos correios (conta com um posto de serviços), falta uma delegacia de polícia, ou mesmo um posto policial, seus doentes são tratados em postos médicos de eficácia duvidosa, pois sempre que os problemas são um pouco maiores quem necessita de atendimento tem que se deslocar até Ponte dos Carvalhos, ou Recife.
Pontezinha possui quatro pontos onde se pode buscar lazer, porém isso em dias de festa e muitas vezes tendo que ser remunerado e de uma área muito conhecida até mesmo fora do distrito, praça de eventos e palanque do coco. Hoje Centro Cultural Mestre Goitá
Destruído pelo fogo, e reconstruído das cinzas, faz renascer o Coco de Roda do Mestre Goitá, atraindo as atenções nas épocas juninas e muitas vezes nos finais de semana, propiciando, lazer a comunidade.
Pontezinha é rica de artistas artesanais, muitos são os grupos teatrais, porém todos carecem de incentivo, áreas para refinar, mostrar e ensinar suas artes.
Os esportes principalmente o futebol quando no passado os Clubes: Esporte Clube Pontezinha, Santa Cruz Futebol Clube, América Futebol Clube e Clube Náutico de Pontezinha, recebiam até os times da primeira divisão do estado, hoje desacreditado, destruído pela divergência e autopromoção de minorias políticas e filhos bastardos, comum em nosso meio.
Cercada por manguezais, próxima de rio e mar, Pontezinha é rica em crustáceos que além de alimentar, muitas famílias carentes, fazem da culinária um dos atrativos do lugar.
Nossa comunidade conta com cinco escolas de nível fundamental e médio, porém não existem incentivos ou oportunidade para que nossos jovens, se profissionalizem, para tanto tem que se deslocar para a sede do município ou para a capital, e mesmo assim as vagas e cursos oferecidos não são suficientes.
O ensino, coisa que não é só um direito do povo de Pontezinha, acompanha a deficiência do ensino no país.
A falta de áreas de lazer que propiciem atividades recreativas, supervisionadas e de qualidade, levam nossos jovens ao ócio e conseqüentemente a alternativas quase sempre não muito saudáveis.
Um ponto inquestionável para a saúde é o saneamento básico, que não existe e com isso nossos postos médicos recebem grandes quantidades de pacientes diariamente com diarréia e outras infecção.
A falta de segurança, a construção (asfaltamento e alargamento) da estrada de Curcurana (Jaboatão dos Guararapes) e da Ver. Horácio Ferraz Cavalcanti sem estrutura, que passando por dentro da comunidade, sem que se fizessem estudos que possibilitassem um transito tão grande de veículos em segurança e sem ser prejudicial, deformou a face da comunidade, não são vistos nas calçadas aqueles grupos familiares para a conversa à noite.
A centralização das áreas onde se realizam as festas, eventos e shows contribuíram para a extinção de grupos de quadrilhas juninas e escolas de samba. A centralização no palanque do coco, a construção do campo de futebol cercado na entrada da localidade, contribui para o enfraquecimento da festa mais popular de Pontezinha a festa de Nossa Senhora Rainha da Paz.
Durante esta festa, depois da procissão da bandeira a festa recebia grupos de coco, e artistas da terra, a área era espaçosa, hoje as barracas e brinquedos sem amontoam, distribuídos sem critério.
A insegurança e a falta de atrações da terra afastam tanto visitantes quanto moradores, porém esse quadro estar sendo discutidos na 1º conferência livre de segurança pública de Pontezinha, pela comunidade em parceria com a regional 3 e as associações, inclusive, com o Conselho Social, tendo a frente o Diretor Social Sr. Jorge Sanchez e Graciéte Maria Gomes 1º secretária da entidade.
No entanto, e apesar de tantos problemas Pontezinha é de um verde exuberante, de uma paisagem aérea impressionante, seus mangues, viveiros e áreas verdes são lindos, se bem tratadas nossas ruas, e principalmente o arruado de casas à beira da antiga BR-101, remete aos séculos passados, a época da escravidão, as casa de engenho, aliados a uma área de lazer bem estruturada, com anfiteatro e local para as expressões populares, formariam um centro cultural e turístico de relevância, e propiciaria a comunidade uma oportunidade de visualizar um futuro mais digno.
Mas, Pontezinha é forte, forte pela força e pelo amor de seus filhos, não sucumbirá, lutará até conseguir alcançar seus ideais, pois em suas veias correm sangue e pólvora.
E os que aqui tomaram guarita, vivem, criam seus filhos, desejam sua elevação e progresso.
Muitos chegam a achar ridículo seu nome. Pontezinha.
Tudo depende da capacidade dedutiva, imaginativa e da ótica de cada um, se a imaginação é pobre e materialista, concordamos que o nome de Pontezinha para um lugar não é muito clássico, mas quando se tem visão e principalmente quando se é batalhador que não se deixa abalar pelas dificuldades, o nome Pontezinha, sugere algo colocado para possibilitar a passagem, que pode ser de um estado de fracasso a conquistas inimagináveis, só depende de como vamos atravessá-la, se rastejando ou erguidos, felizes e orgulhosos de termos terminado a construção dessa ponte que para nossa sorte é pequenina. Caberá exclusivamente a nós reforçar suas bases, melhorar sua estrutura, alargá-la e pintá-la com orgulho. Não é o tamanho de um lugar que o faz pequeno e ridículo é como os que foram por ele acolhidos, ou dos que nele tiveram seu berço apresentam-no ao mundo. Mesmo os não filhos de Pontezinha, aprendem a respeitá-la e amá-la, deseja vê-la como um oásis de esperança e uma Pontezinha para o futuro dos jovens que aqui nascem e vivem e mesmo sem ser seu filho muitos lutam por isso todos os dias. Esperamos apenas não estarmos sós. Mais se assim for continuaremos, pois, cremos que podemos construir “nossa” Pontezinha com a madeira do carvalho mais forte e com isso possibilitar a passagem para um futuro melhor inclusive dos que se negam a contribuir com sua construção, entretanto hoje em cada de suas ruas, são portadores de um CEP, não colocados por políticos, mas por uma entidade representativa desse povo que é o Conselho Social dos Moradores de Pontezinha e que na época foi tão bem representado pelo ex-Vice Presidente Alberto Figueiredo na luta pelo CEP e pelo seu reconhecimento como forasteiro quando diz: nas veias dessas gentes correm sangue e pólvora.
E muitos desses filhos foram aventurar no sul do país, deixando pra trás os amigos e familiares, em busca de trabalhos e sonhos de uma vida melhor. Muitos venceram e sempre final de ano vem visitar seus familiares e outros coitados, não tiveram a sorte de voltar a rever a quem tanto ama, como mãe, pai, irmãos, tios e até aqueles amigos de infância, com certeza, foram lembrados no leito de morte. E aqui, só restou à saudade daquele que um dia, ao sair, prometeu que voltaria. Entretanto, uma lápide diz; Aqui jaz um Pernambucano da peste, que em vida, amor muito a quem distante estava.
Heraldo Ferraz
13/03/2009